A situação atual da linha férrea da Petite Ceinture de Paris

, por Bruno Bretelle

Redação : Bruno Bretelle.
Tradução em Português : João Cunha, Stéphane Dos Santos e Bruno Bretelle.

A situação atual da linha obedece a três documentos oficiais e publicados entre 2006 e 2015 :

  • O “protocolo entre a câmara de Paris e o Réseau Ferré de France relativo à Petite Ceinture de Paris”, assinado em Junho de 2006 e renovado até 2015, quando inicialmente devia expirar em Junho de 2011 ;
  • O esquema diretor da região Île-de-France 2030 (SDRIF), aprovado pelo Estado a 27 de Dezembro e publicado a 28 de Dezembro de 2013 no Journal Officiel ;
  • O “protocolo entre a câmara de Paris e a “SNCF Réseau” (antigamente RFF) aprovado em junho de 2015 para dez anos.

Uma concertação foi organizada pela RFF e a Câmara de Paris entre dezembro de 2012 e fevereiro de 2013. Os resultados dessa concertação influenciaram a redação do novo protocolo assinado durante a primavera.

Mapa da situação atual da linha férrea da Petite Ceinture de Paris
Em azul, o troço disponivel para um transporto publico ferroviario. Em amarelo, o troço utilizado pela linha C do RER. Em vermelho, o troço destruido em 1960. Em verde, o troço fechado em 2008. Clique para ampliar o mapa.

 O protocolo de 2006

No inicio dos anos 2000 foi decidido de não utilizar a Petite Ceinture ferroviária para instalar o eléctrico, linha “T3a” e o prolongamento da linha T2 do eléctrico apesar dos benefícios em termos de velocidade, capacidade, ao contrario do traçado atual das linhas. Eles tem uma velocidade e capacidade baixas. Com esta escolha os projetos de transportes regulares foram adiados a mais tarde. Em 2006 foi assinado um primeiro protocolo para definir os diferentes usos possíveis para os próximos anos.

Este protocolo permitiu :

  • A manutenção regular realizada por uma quarentena de pessoas pertencentes a associações de reinserção que trabalham por conta da RFF e SNCF. O objetivo destas associações é o de limpar a plataforma da Petite Ceinture do lixo atirado por todos quantos a confundem com uma lixeira e de a manter limpa de vegetação no gabarito ferroviário, permitindo a passagem de algum comboio que possa necessitar de passar ;
  • A preservação e reabilitação dos antigas estações do serviço urbano de passageiros com a venta das estaçoes para o desenvolvimento de actividades culturais de tipo : café, restaurante, sala de concerto ;
  • A realização de um passeio de 1,3 quilômetros sobre a plataforma da linha, aberto em julho de 2013. Esta instalação é reversível.

 O esquema diretor da Região Île-de-France 2030

O esquema diretor da região Île-de-France 2030 (SDRIF), aprovado em 2013 vê da seguinte forma o futuro da Petite Ceinture: “A Petite Ceinture terá o seu canal preservado. A sua vocação ferroviária e os seus usos devem ser considerados em função dos troços em análise (ferroviários, transporte ligeiro, corredor verde), e assegurando a reversibilidade das transformações a operar. Por fim, a urbanização de terrenos adjacentes deve ser compatível com a atividade destes locais.”

Num artigo da agência France Presse, de 01 de Outubro de 2014, recuperado nomeadamente pelo semanário “L’Express”, Jean Faussurier, diretor regional do Réseau Ferré de France (RFF), declara: “Nós queremos devolver à Petite Ceinture uma utilização de transporte público, num horizonte temporal que ainda não definimos. Mas em vez de termos superfícies estéreis como estas estações, cujas utilizações ilícitas nos preocupam, o nosso objetivo é de as abrir ao público, com a condição de reversibilidade do uso.”

 A concertação de 2012-2013

O protocolo assinado em 2006 devia expirar em 2011. Expirado, ele teve que ser renegociado. É neste contexto que uma concertação foi organizada em 2013. Inicialmente, era previsto uma conferencia de consensos. Finalmente foi uma forma mais clássica de concertação que foi escolhida : reuniões publicas e pagina web “participativa”. As varias opiniões exprimidas durante a concertação permitiram ao consenso seguinte :

  • A reversibilidade das instalações para um possível uso para os transportes públicos ;
    Canal preservado ;
  • A compatibilidade entre os usos ferroviários e a preservação da biodiversidade. Transformação das partes inúteis da plataforma para o transporte ;
  • A protecção da biodiversidade. Não todos tenham uma definição exata do que é a biodiversidade. A ideia principal é de garantir continuidades e ligações com o ecossistema urbano ;
  • A vontade de não construir sobre a linha ;
  • A preservação do carácter atípico, estético, com um impressionante patrimônio e historia ferroviária.

 O novo protocolo de 2015

Um novo protocolo de acordo entre a cidade de Paris e o grupo ferroviário SNCF foi assinado no mês de abril, respeitando a concertação que ocorreu em 2013. Neste protocolo, SNCF Réseau e a câmara municipal confirmam a sua vontade de preservar a continuidade da Petite Ceinture e a reversibilidade das instalações que poderão ser realizadas com objectivo de não suprimir as potencialidades de transportes para o futuro.

Está também considerado que os 23km de linha pertencem à Rede Ferroviária Nacional. Fica precisado que o troço de linha entre as estações Passy-La Muette e a Porte d’Auteuil já não faz parte da rede ferroviária. Está também indicado que a secção de linha compreendida entre a rua Alphonse de Neuville e a estação Pont Cardinet, chamada «Trincheira Pereira» foi encerrada em 2013. Essa seção faz parte da «Ligne d’Auteuil».

Assim, sobre os 31,5 kilometros da volta inteira de Paris com a Petite Ceinture e a Ligne d’Auteuil, só 3,5km não são abertos ao tráfico ferroviário. O resto da linha ainda faz parte da Rede Ferroviária Nacional o que dá por falsa a utilização dos qualificativos «desafetada», «antiga», «abandonada». As obras em curso relativa a urbanização do ambiente da linha não põem em causa o carácter ferroviário da linha e a sua continuidade. Essas obras cortam a linha provisoriamente.

Este protocolo articula-se a volta de três pontos :

  • A valorização do património natural, arquitetural, das paisagens e dos usos diversificados,
  • A elaboração de um programa de ação partilhado entre a SNCF e a cidade sobre o futuro da Petite Ceinture,
  • As modalidades de realização deste plano e de disponibilização dos sítios.

Valorização do património natural, arquitetural, das paisagens e dos usos diversificados

O carácter extraordinário da Petite Ceinture ferroviária no urbanismo parisiense é reconhecido, o protocolo descreve que qualquer ação deverá inscrever-se na totalidade da paisagem da linha e valorizar a história e o património ferroviário da “Petite Ceinture”. As instalações provisórias deverão preservar o gabarito ferroviário e o máximo da paisagem da própria linha.

Os projetos que serão recolhidos para os novos usos deverão respeitar o carácter muito particular da linha e ter conta o seu potencial. As qualidades ecológicas e o desempenho climático serão valorizados como prova de que os parisienses revelaram preocupação sobre estes assuntos.

Elaboração de um plano de ação partilhado para o futuro da Petite Ceinture

A câmara municipal e o grupo SNCF vão realizar um plano de ação daqui até fim do ano para identificar os usos e atividades suscetíveis de estar desenvolvidas na linha.

Análise pela Prefeitura de Paris das varias possilidades da linha férrea da Petite Ceinture
Em vermelho, troços interessante para criar atividades. Clique para ampliar o mapa.

Modalidades do desenvolvimento do programa e as condições de utilização da linha

Em função das orientações escolhidas, em alguns troços, convenções de ocupação do domínio ferroviário poderão ser assinadas com os organismos que tenham projetos e que serão designados pela SNCF e a Cidade. Haverá uma chamada a projetos. Os lucros dessas atividades serão partilhados entre o grupo ferroviário e a câmara municipal com modalidades a definir.

A primeira operação realizada no âmbito deste protocolo é à abertura de um passeio de 530 metros no outono.

 A posição da nossa Associação

A nossa associação congratula-se com as ideias de preservação escolhidas, que defendemos desde 1992. A Petite Ceinture constitui um recurso ferroviário raro que é necessário preservar para as próximas décadas. Não somos opositores a uma abertura parcial da infraestrutura ao público mantendo a reversibilidade das instalações para um uso ferroviário. Propomos completar essas eventuais aberturas com a circulação de alguns comboios especiais com velocidade muita lenta permitindo apreciar o ADN ferroviário da linha. Abrir toda a linha ao público é uma tarefa bastante complicada por causa dos numerosos túneis que comporta. Esses comboios permitiriam preservar a vegetação existente do atropelo associado à passagem das pessoas. Essas circulações seriam à imagem do que organizámos até 2003.